Conhecimento Biológico

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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Curiosidades Biológicas 04

O que diz Pierre Lévy Sobre Cibercultura?*

Fichamento Bibliográfico


INTRODUÇÃO - Dilúvios

“Em primeiro lugar, [...], jovens ávidos para experimentar, coletivamente, formas de comunicação diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõem. Em segundo lugar, que estamos vivendo a abertura de um novo espaço de comunicação, e cabe apenas a nós explorar as potencialidades mais positivas deste espaço nos planos econômico, político, cultural e humano” (p.11).

“Qualquer esforço para apreciar a cibercultura coloca você automaticamente no lado da IBM, do capitalismo financeiro internacional, do governo americano, tornando-o um apóstolo do neoliberalismo selvagem e duro com os pobres, um arauto da globalização escondido sob uma máscara de humanismo” (p.12).

“Aliás, não são os pobres que se opõem à internet - são aqueles cujas posições de poder, os privilégios (sobretudo os privilégios culturais) e os monopólios encontram-se ameaçados pela emergência dessa nova configuração de comunicação” (p.13).

“Durante uma entrevista nos anos 50, Albert Einstein declarou que três grandes bombas haviam explodido durante o século XX: a bomba demográfica, a bomba atômica e a bomba das telecomunicações” (p.13).

“[...] Os homens inundam a Terra. Esse crescimento global tão acelerado não tem nenhum precedente histórico. [...] Frente à irresistível inundação humana, há duas soluções opostas. Uma delas é a guerra, [...]. A outra é a exaltação do indivíduo, o humano considerado como o maior valor, recurso maravilhoso e sem preço” (p.14). 

“O dilúvio informacional jamais cessará. A arca não repousará no topo do monte Ararat. O segundo dilúvio não terá fim. Não há nenhum fundo sólido sob o oceano das informações. Devemos aceita-lo como nossa nova condição. Temos que ensinar nossos filhos a nadar, a flutuar, talvez a navegar” (p.15).

“Horríveis fogueiras hitlerianas, fogos de livros nas praças europeias, em que ardiam a inteligência e a cultura” (p.16).

“Este livro, [...] aborda as implicações culturais do desenvolvimento das tecnologias digitais de informação e de comunicação” (p.17).

1º Parte - Definições

“Nos textos que anunciam colóquios, nos resumos dos estudos oficiais ou nos artigos da imprensa sobre o desenvolvimento da multimídia, fala-se muitas vezes no “impacto” das novas tecnologias da informação sobre a sociedade ou a cultura” (p.21).

“Quando as capacidades de memória e de transmissão aumentam, quando são inventadas novas interfaces com o corpo e o sistema cognitivo humano (a “realidade virtual”, por exemplo), quando se traduz o conteúdo das antigas mídias para o ciberespaço (o telefone, a televisão, os jornais, os livros etc.), quando o digital comunica e coloca em um ciclo de retroalimentação processos físicos, econômicos ou industriais anteriormente estanques, suas implicações culturais e sociais devem ser reavaliadas sempre” (p.25).

“Nenhum dos principais atores institucionais - Estado ou empresas - planejou deliberadamente, nenhum grande órgão de mídia previu, tampouco anunciou, o desenvolvimento da informática pessoal, o das interfaces gráficas interativas para todos, o dos BBS ou dos programas que sustentam as comunidades virtuais, dos hipertextos ou da World Wide Web, ou ainda dos programas de criptografia pessoal inviolável” (p.27).

“É aqui que intervém o papel principal da inteligência coletiva, que é um dos principais motores da cibercultura” (p.28).

“Quanto mais os processos de inteligência coletiva se desenvolvem, [...], melhor é a apropriação, por indivíduos e por grupos, das alterações técnicas, e menores são os efeitos de exclusão ou de destruição humana resultantes da aceleração do movimento tecnossocial” (p.29). 

“O ciberespaço como suporte da inteligência coletiva é uma das principais condições de seu próprio desenvolvimento” (p.29).

“Os primeiros computadores (calculadoras programáveis capazes de armazenar os programas) surgiram na Inglaterra e nos Estados Unidos em 1945, [...] reservados aos militares para cálculos científicos, seu uso civil disseminou-se durante os anos 60” (p.31).

“A virada fundamental data, talvez, dos anos 70, [...] o desenvolvimento e a comercialização do microprocessador (unidade de cálculo aritmético e lógico localizada em um pequeno chip eletrônico) dispararam diversos processos econômicos e sociais de grande amplitude” (p.31).

“Os anos 80 viram o prenúncio do horizonte contemporâneo da multimídia, [...] a informática perdeu, pouco a pouco, seu status de técnica e de setor industrial particular para começar a fundir-se com as telecomunicações, a editoração, o cinema e a televisão” (p.32).

“No final dos anos 80 e início dos anos 90, um novo movimento sociocultural originado pelos jovens profissionais das grandes metrópoles e dos campi americanos tomou rapidamente uma dimensão mundial, [...] diferentes redes de computadores que se formaram desde o final dos anos 70 se juntaram umas às outras enquanto o número de pessoas e de computadores conectados à inter-rede começou a crescer de forma exponencial” (p.32).

“Os processadores disponíveis tornam-se, a cada ano, menores, mais potentes, mais confiáveis e mais baratos” (p.33).

“Nos anos 80, as linhas da rede que conectava os cientistas americanos podiam transportar 1,5 milhões de bits por segundo, [...] em 1992, as linhas da mesma rede podiam transmitir 45 milhões de bits por segundo (uma enciclopédia por minuto)” (p.37).

“Não estamos mais nos relacionando com um computador por meio de uma interface, e sim executamos diversas tarefas em um ambiente “natural” que nos fornece sob demanda os diferentes recursos de criação, informação e comunicação dos quais precisamos” (p.38).
     
“Um programa, ou software, é uma lista bastante organizada de instruções codificadas, destinadas a fazer com que um ou mais processadores executem uma tarefa” (p.42).

“Os sistemas operacionais são programas que gerenciam os recursos dos computadores (memória, entrada e saída etc.) e organizam a mediação entre o hardware e o software aplicativo” (p.43).

“Um computador é uma montagem particular de unidade de processamento, de transmissão, de memória e de interfaces para entrada e saída de informações” (p.44).

“Na acepção filosófica, é virtual aquilo que existe em potência e não em ato, o campo de forças e de problemas que tende a resolver-se em uma atualização, [...] (a árvore está virtualmente presente no grão)” (p.49).

“O virtual existe sem estar presente” (p.50).

“Resumindo, a extensão do ciberespaço acompanha e acelera uma virtualização geral da economia e da sociedade” (p.51).

“Por um lado, há dispositivos técnicos bastante diversos que podem gravar e transmitir números codificados em linguagem binária” (p.53).

“A informação digitalizada pode ser processada automaticamente, com um grau de precisão quase absoluto, muito rapidamente e em grande escala quantitativa” (p.54).

“O computador, então, não é apenas uma ferramenta a mais para a produção de textos, sons e imagens, é antes de mais nada um operador de virtualização da informação” (p.57).

“Computadores e redes de computadores surgem, então, como a infraestrutura física do novo universo informacional da virtualidade. Quanto mais se disseminam, quanto maior sua potência de cálculo, capacidade de memória e de transmissão, mais os mundos virtuais irão multiplicar-se em quantidade e desenvolver-se em variedade” (p.78).

“Uma das principais funções do ciberespaço é o acesso a distância aos diversos recursos de um computador” (p.95).
2º Parte - Proposições

“A emergência do ciberespaço, de fato, provavelmente terá - ou já tem hoje - um efeito tão radical sobre a pragmática das comunicações quanto teve, em seu tempo, a invenção da escrita” (p.116).

“Por meio dos computadores e das redes, as pessoas mais diversas podem entrar em contato, dar as mãos ao redor do mundo” (p.122).

“Eis, portanto, a tese que vou tentar sustentar: a emergência do ciberespaço é fruto de um verdadeiro movimento social, com seu grupo líder (a juventude metropolitana escolarizada), suas palavras de ordem (interconexão, criação de comunidades virtuais, inteligência coletiva) e suas aspirações coerentes” (p.125).

“Uma comunidade virtual não é irreal, [...], os amantes da cozinha mexicana, os loucos pelo gato angorá, os fanáticos por alguma linguagem de programação ou os intérpretes apaixonados de Heidegger, antes dispersos pelo planeta, muitas vezes isolados ou ao menos sem contatos regulares entre si, dispõem agora de um lugar familiar de encontro e troca” (p.132). 

“Reencontramos com a música tecno a fórmula dinâmica que define a essência da cibercultura: quanto mais universal for, menos totalizável será” (p.145). 

“Qualquer reflexão sobre o futuro dos sistemas de educação e de formação na cibercultura deve ser fundada em uma análise prévia da mutação contemporânea da relação com o saber” (p.159).

“No ciberespaço, o saber não pode mais ser concebido como algo abstrato ou transcendente. Ele se torna ainda mais visível - e mesmo tangível em tempo real - por exprimir uma população. As páginas da Web não apenas são assinadas como as páginas de papel, mas frequentemente desembocam em uma comunicação direta, por correio digital, fórum eletrônico ou outras formas de comunicação por mundos virtuais como os MUDs ou os MOOs. Assim, contrariamente ao que nos leva a crer a vulgata midiática sobre a pretensa “frieza” do ciberespaço, as redes digitais interativas são fatores potentes de personalização ou de encarnação do conhecimento” (p.164).

“De fato, essa interconexão favorece os processos de inteligência coletiva nas comunidades virtuais, e graças a isso o indivíduo se encontra menos desfavorecido frente ao caos informacional” (p.169).

“Com esse novo suporte de informação e de comunicação emergem gêneros de conhecimento inusitados, critérios de avaliação inéditos para orientar o saber, novos atores na produção e tratamento dos conhecimentos. Qualquer política de educação terá que levar isso em conta” (p.170). 

“Os sistemas educativos encontram-se hoje submetidos a novas restrições no que diz respeito a quantidade, diversidade e velocidade de evolução dos saberes” (p.171).

“As universidades e, cada vez mais, as escolas primárias e secundárias estão oferecendo aos estudantes as possibilidades de navegar no oceano de informação e de conhecimento acessível pela Internet” (p.172).

“Os professores aprendem ao mesmo tempo que os estudantes e atualizam continuamente tanto seus saberes “disciplinares” como suas competências pedagógicas. (A formação contínua dos professores é uma das aplicações mais evidentes dos métodos de aprendizagem aberta e a distância)” (p.173).

“É a transição de uma educação e uma formação estritamente institucionalizada (a escola, a universidade) para uma situação de troca generalizada dos saberes dos saberes, o ensino da sociedade por ela mesma, de reconhecimento autogerenciado, móvel e contextual das competências” (p.174).

“Uma vez que os indivíduos aprendem cada vez mais fora do sistema acadêmico, cabe aos sistemas de educação implementar procedimentos de reconhecimento dos saberes e savoir-fare adquiridos na vida social e profissional” (p.177).

“Cada país possui hoje um sistema de diplomas e de reconhecimento dos saberes diferente. Além disso, dentro de um mesmo país, os diplomas - sabidamente insuficientes quanto a isso - são o único sistema de representação das competências comum a todos os ramos da indústria, a todas as empresas e a todos os meios sociais” (p.184). 

“Cada estudante pode passar de uma coletividade para outra, de um país para outro, conservando sempre a mesma lista de brevês que define suas competências: essa lista (eventualmente enriquecida por sucessivas experiências) terá automaticamente, em cada árvore, aspectos e valores diferentes” (p.186).

“A convergência, progressiva, sempre fundada no voluntariado e na implicação dos atores interessados, encontra-se, contudo, assegurada a longo prazo pela coerência do esquema proposto e por sua adequação às figuras emergentes da relação com o saber” (p.187).

“Hoje, a comunicação digital interativa cresce exponencialmente usando toda uma gama de infraestruturas heterogêneas já existentes. O aumento das capacidades de transmissão dos canais, que ocorre regularmente, é apenas uma das chaves do crescimento do tráfego” (p.198).

“Colocar a inteligência coletiva no posto de comando é escolher de novo a democracia, reatualizá-la por meio da exploração das potencialidades mais positivas dos novos sistemas de comunicação” (p.201).
  
3º Parte - Problemas

“Fora as grandes tendências de virtualização e universalização que já foram abordadas, não há um “impacto” automático ou predeterminado das novas tecnologias sobre a sociedade e a cultura” (p.205).

“Em uma escola, é possível limitar a rede de comunicação ao estabelecimento e favorecer prioritariamente o uso de programas de ensino assistido pelo computador. É possível também abrir a rede local para a Internet e encorajar as compras de equipamentos e programas adequados para sustentar a autonomia e as capacidades de colaboração dos alunos” (p.207).

“De fato, o ciberespaço é desterritorializante por natureza, enquanto o Estado moderno baseia-se, sobretudo, na noção de território” (p.210).

“Os Estados veem evidentemente na “democratização” de poderosos instrumentos de criptografia um atentado à sua soberania e segurança” (p.211).

“É preciso compreender aqui a inteligência no sentido da educação, das faculdades de aprendizagem (aprender em conjunto e uns dos outros!), das competências adquiridas e colocadas em sinergia, das reservas dinâmicas de memória comum, das capacidades de inovar e de acolher a inovação” (p.213).

“Há inúmeros obstáculos para o projeto da inteligência coletiva. Alguns deles dizem respeito aos mal-entendidos e às ideias excessivamente pessimistas disseminadas por uma crítica muitas vezes sem fundamentos” (p.216).

“Uma das ideias mais errôneas, e talvez a que tem vida mais longa, representa a substituição pura e simples do antigo pelo novo, do natural pelo técnico ou do virtual pelo real” (p.218).

“A ascensão da televisão certamente afetou o cinema, mas não o matou. Vemos filmes nas estranhas janelas, e as cadeias de TV participam da produção de novas obras cinematográficas” (p.219). 

“A hipótese de substituição pura e simples contradiz o conjunto de estudos empíricos e das estatísticas disponíveis. É triste constatar que os cinco últimos livros de um pensador como Paul Virilo giram em torno de um fantasma que a simples observação daquilo que nos cerca mostra ser irremediavelmente falso” (p.220).

“Quando a crítica nada mais faz além de colocar em cena os espantalhos desmoralizantes de sempre e deixa passar em silêncio o movimento social, ignorando-o ou caluniando-o, temos o direito de duvidar de seu caráter progressista” (p.228).

“O crescimento da cibercultura é alimentado por uma dialética da utopia e dos negócios, na qual cada um joga com o outro sem que haja, até o momento, um perdedor” (p.233).

“A cibercultura é propagada por um movimento social muito amplo que anuncia e acarreta uma evolução profunda da civilização. O papel do pensamento crítico é o de intervir em sua orientação e suas modalidades de desenvolvimento” (p.235). 

“A apropriação dos conhecimentos se libertará cada vez mais das restrições colocadas pelas instituições de ensino, já que as fontes vivas do saber estarão diretamente acessíveis e os indivíduos terão a possibilidade de integrar-se a comunidades virtuais consagradas à aprendizagem cooperativa” (p.237).

“Mas as potencialidades positivas da cibercultura, ainda que conduzam a novas potências do humano, em nada garantem a paz ou a felicidade. Para que nos tornemos mais humanos é preciso suscitar a vigilância, pois o homem sozinho é inumano, na mesma medida de sua humanidade” (p.241).

“Estima-se frequentemente que o desenvolvimento da cibercultura poderia ser um fator suplementar de desigualdade e de exclusão, tanto entre as classes de uma sociedade como entre nações de países ricos e pobres. Esse risco é real” (p.244). 

“O inglês é hoje, na prática, a língua-padrão da rede. Além disso, as instituições e empresas americanas constituem a maioria dos produtores de informação na Internet. O medo de um domínio cultural dos Estados Unidos não é, portanto, sem fundamentos” (p.247). 

“Já que todos podem alimentar a rede sem qualquer intermediário ou censura, já que nenhum governo, nenhuma instituição, nem qualquer autoridade moral garante o valor dos dados disponíveis, como podemos confiar nas informações encontradas no ciberespaço?” (p.251). 

“A cibercultura surge como a solução parcial para os problemas da época anterior, mas constitui em si mesma um imenso campo de problemas e de conflitos para os quais nenhuma perspectiva de solução global já pode ser traçada claramente” (p.255).

“Longe de ser uma subcultura dos fanáticos pela rede, a cibercultura expressa uma mutação fundamental da própria essência da cultura” (p.257).

“Nem as leis (não há direitos humanos), nem os deuses (não há religiões universais), nem os conhecimentos (não há processos de experimentação ou de raciocínio reproduzíveis em todos os lugares), nem as técnicas (não há redes nem padrões mundiais) são universais” (p.258).

“Eis o ciberespaço, a pululação de suas comunidades, a ramificação entrelaçada de suas obras, como se toda a memória dos homens se desdobrasse no instante: um imenso ato de inteligência coletiva sincrônica, convergindo para o presente, clarão silencioso, divergente, explodindo como uma ramificação de neurônios” (p.260).

*Professor Lyndon Johnson Batista de Souza.

REFERÊNCIA

França -1997


                                       LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: 34, 1997.                                 

    A Biologia Pode Inspirar a Engenharia?*
Androctonus australis - inspiração da engenharia
          Que a Biologia e sua diversidade tem inspirado engenheiros em seus projetos, isso não é novidade. Não existe perfeição melhor que aquela criada pela seleção natural, afinal foram milhões de anos aperfeiçoando o designer estrutural para ajustar perfeitamente as exigências do ambiente. Muitos pesquisadores alemães estão utilizando robôs, inspirados em animais, para desenvolver tecnologias para as indústrias naval, automobilística e aeroespacial. A ideia é captar a eficiência física dos animais na natureza para transferir a habilidade própria dos bichos para os robôs.
          Por meio da biologia os engenheiros têm acesso à forma, movimentos, e aos hábitos comportamentais para com isso desenvolverem máquinas e veículos mais eficazes, menos poluentes e que gastem o mínimo de energia. Temos a seguir um bom exemplo disso, onde um grupo de cientistas chineses foram buscar "ispirações" em um escorpião para desenvolverem um sistema de proteção de maquinários que ficam expostos em abientes áridos sujeitos a tempestades de areia. 
         Baseado no "escudo biônico" natural que o animal usa para se proteger contra as tempestades de areia do deserto, os cientistas desenvolveram uma nova forma de proteger máquinas e motores do desgaste. A erosão por partículas sólidas é uma das principais causas de danos materiais e das falhas em equipamentos mecânicos, de simples canos e engrenagens a turbinas eólicas e bocais de foguetes. Em alguns casos, filtros podem ajudar a remover as partículas, como nos motores de carros, mas ter superfícies mais resistentes à erosão pode ser uma opção mais simples e mais econômica na maioria dos casos. E o escorpião do deserto parece ser especialista nisto, já que ele possui uma carapaça que evoluiu para permitir que ele sobreviva ao poder abrasivo das tempestades de areia. 
           Embora a carapaça do escorpião seja feita de um material duro, isso não é capaz de explicar toda a sua resistência à abrasão. Os cientistas usaram então um scanner a laser 3D para fazer um mapa de alta precisão da superfície da carapaça do escorpião, que é cheia de microtexturas. A seguir, eles fizeram uma simulação em computador para ver como a areia impacta sobre as diversas ranhuras da carapaça. De posse desses dados iniciais, a equipe desenvolveu diversas variações da estrutura rugosa do animal, e partiu para os testes práticos, com várias intensidades de impacto de partículas. "Os resultados mostraram que superfícies microtexturizadas apresentam melhor resistência à abrasão do que as superfícies lisas," escreveu o grupo. Os pesquisadores concluíram que uma série de pequenos sulcos em um ângulo de 30 graus em relação ao fluxo de partículas dá a superfícies de aço a melhor proteção contra a erosão.
 *Professor Lyndon Johnson Batista de Souza.

REFERÊNCIA

China - 2011


http://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/1a203942r
Artigo: Erosion Resistance of Bionic Functional Surfaces Inspired from Desert Scorpions.
Autores: Han Zhiwu, Zhang Junqiu, Ge Chao, Wen Li, Luquan Ren. China: Langmuir, 2011.





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