O que diz Pierre Lévy Sobre Cibercultura?*
![]() |
Fichamento Bibliográfico |
INTRODUÇÃO - Dilúvios
“Em primeiro lugar, [...], jovens ávidos para experimentar, coletivamente, formas de comunicação diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõem. Em segundo lugar, que estamos vivendo a abertura de um novo espaço de comunicação, e cabe apenas a nós explorar as potencialidades mais positivas deste espaço nos planos econômico, político, cultural e humano” (p.11).
“Qualquer esforço para apreciar a cibercultura coloca você
automaticamente no lado da IBM, do capitalismo financeiro internacional, do
governo americano, tornando-o um apóstolo do neoliberalismo selvagem e duro com
os pobres, um arauto da globalização escondido sob uma máscara de humanismo”
(p.12).
“Aliás, não são os pobres que se opõem à internet - são aqueles cujas
posições de poder, os privilégios (sobretudo os privilégios culturais) e os
monopólios encontram-se ameaçados pela emergência dessa nova configuração de
comunicação” (p.13).
“Durante uma entrevista nos anos 50, Albert Einstein declarou que três
grandes bombas haviam explodido durante o século XX: a bomba demográfica, a
bomba atômica e a bomba das telecomunicações” (p.13).
“[...] Os homens inundam a Terra. Esse crescimento global tão
acelerado não tem nenhum precedente histórico. [...] Frente à irresistível
inundação humana, há duas soluções opostas. Uma delas é a guerra, [...]. A
outra é a exaltação do indivíduo, o humano considerado como o maior valor,
recurso maravilhoso e sem preço” (p.14).
“O dilúvio informacional jamais cessará. A arca não repousará no topo
do monte Ararat. O segundo dilúvio não terá fim. Não há nenhum fundo sólido sob
o oceano das informações. Devemos aceita-lo como nossa nova condição. Temos que
ensinar nossos filhos a nadar, a flutuar, talvez a navegar” (p.15).
“Horríveis fogueiras hitlerianas, fogos de livros nas praças
europeias, em que ardiam a inteligência e a cultura” (p.16).
“Este livro, [...] aborda as implicações culturais do desenvolvimento
das tecnologias digitais de informação e de comunicação” (p.17).
1º Parte - Definições
“Nos textos que anunciam colóquios, nos resumos dos estudos oficiais
ou nos artigos da imprensa sobre o desenvolvimento da multimídia, fala-se
muitas vezes no “impacto” das novas tecnologias da informação sobre a sociedade
ou a cultura” (p.21).
“Quando as capacidades de memória e de transmissão aumentam, quando
são inventadas novas interfaces com o corpo e o sistema cognitivo humano (a
“realidade virtual”, por exemplo), quando se traduz o conteúdo das antigas
mídias para o ciberespaço (o telefone, a televisão, os jornais, os livros
etc.), quando o digital comunica e coloca em um ciclo de retroalimentação
processos físicos, econômicos ou industriais anteriormente estanques, suas
implicações culturais e sociais devem ser reavaliadas sempre” (p.25).
“Nenhum dos principais atores institucionais - Estado ou empresas -
planejou deliberadamente, nenhum grande órgão de mídia previu, tampouco
anunciou, o desenvolvimento da informática pessoal, o das interfaces gráficas
interativas para todos, o dos BBS ou
dos programas que sustentam as comunidades virtuais, dos hipertextos ou da World Wide Web, ou ainda dos programas
de criptografia pessoal inviolável” (p.27).
“É aqui que intervém o papel principal da inteligência coletiva, que é
um dos principais motores da cibercultura” (p.28).
“Quanto mais os processos de inteligência coletiva se desenvolvem,
[...], melhor é a apropriação, por indivíduos e por grupos, das alterações
técnicas, e menores são os efeitos de exclusão ou de destruição humana
resultantes da aceleração do movimento tecnossocial” (p.29).
“O ciberespaço como suporte da inteligência coletiva é uma das
principais condições de seu próprio desenvolvimento” (p.29).
“Os primeiros computadores (calculadoras programáveis capazes de
armazenar os programas) surgiram na Inglaterra e nos Estados Unidos em 1945,
[...] reservados aos militares para cálculos científicos, seu uso civil disseminou-se
durante os anos 60” (p.31).
“A virada fundamental data, talvez, dos anos 70, [...] o
desenvolvimento e a comercialização do microprocessador (unidade de cálculo
aritmético e lógico localizada em um pequeno chip eletrônico) dispararam
diversos processos econômicos e sociais de grande amplitude” (p.31).
“Os anos 80 viram o prenúncio do horizonte contemporâneo da
multimídia, [...] a informática perdeu, pouco a pouco, seu status de técnica e
de setor industrial particular para começar a fundir-se com as
telecomunicações, a editoração, o cinema e a televisão” (p.32).
“No final dos anos 80 e início dos anos 90, um novo movimento
sociocultural originado pelos jovens profissionais das grandes metrópoles e dos
campi americanos tomou rapidamente uma dimensão mundial, [...] diferentes redes
de computadores que se formaram desde o final dos anos 70 se juntaram umas às
outras enquanto o número de pessoas e de computadores conectados à inter-rede
começou a crescer de forma exponencial” (p.32).
“Os processadores disponíveis tornam-se, a cada ano, menores, mais
potentes, mais confiáveis e mais baratos” (p.33).
“A emergência do ciberespaço, de fato, provavelmente terá - ou já tem hoje - um efeito tão radical sobre a pragmática das comunicações quanto teve, em seu tempo, a invenção da escrita” (p.116).
“Uma vez que os indivíduos aprendem cada vez mais fora do sistema acadêmico, cabe aos sistemas de educação implementar procedimentos de reconhecimento dos saberes e savoir-fare adquiridos na vida social e profissional” (p.177).
“Fora as grandes tendências de virtualização e universalização que já foram abordadas, não há um “impacto” automático ou predeterminado das novas tecnologias sobre a sociedade e a cultura” (p.205).
“Nos anos 80, as linhas da rede que conectava os cientistas americanos
podiam transportar 1,5 milhões de bits por segundo, [...] em 1992, as linhas da
mesma rede podiam transmitir 45 milhões de bits por segundo (uma enciclopédia
por minuto)” (p.37).
“Não estamos mais nos relacionando com um computador por meio de uma
interface, e sim executamos diversas tarefas em um ambiente “natural” que nos
fornece sob demanda os diferentes recursos de criação, informação e comunicação
dos quais precisamos” (p.38).
“Um programa, ou software, é uma lista bastante organizada de
instruções codificadas, destinadas a fazer com que um ou mais processadores
executem uma tarefa” (p.42).
“Os sistemas operacionais são programas que gerenciam os recursos dos
computadores (memória, entrada e saída etc.) e organizam a mediação entre o
hardware e o software aplicativo” (p.43).
“Um computador é uma montagem particular de unidade de processamento,
de transmissão, de memória e de interfaces para entrada e saída de informações”
(p.44).
“Na acepção filosófica, é virtual aquilo
que existe em potência e não em ato, o campo de forças e de problemas que
tende a resolver-se em uma atualização, [...] (a árvore está virtualmente
presente no grão)” (p.49).
“O virtual existe sem estar presente” (p.50).
“Resumindo, a extensão do ciberespaço acompanha e acelera uma
virtualização geral da economia e da sociedade” (p.51).
“Por um lado, há dispositivos técnicos bastante diversos que podem
gravar e transmitir números codificados em linguagem binária” (p.53).
“A informação digitalizada pode ser processada automaticamente, com um
grau de precisão quase absoluto, muito rapidamente e em grande escala quantitativa”
(p.54).
“O computador, então, não é apenas uma ferramenta a mais para a
produção de textos, sons e imagens, é antes de mais nada um operador de virtualização da informação” (p.57).
“Computadores e redes de computadores surgem, então, como a infraestrutura
física do novo universo informacional da virtualidade. Quanto mais se
disseminam, quanto maior sua potência de cálculo, capacidade de memória e de
transmissão, mais os mundos virtuais irão multiplicar-se em quantidade e
desenvolver-se em variedade” (p.78).
“Uma das principais funções do ciberespaço é o acesso a distância aos diversos recursos de um
computador” (p.95).
2º Parte - Proposições
“A emergência do ciberespaço, de fato, provavelmente terá - ou já tem hoje - um efeito tão radical sobre a pragmática das comunicações quanto teve, em seu tempo, a invenção da escrita” (p.116).
“Por meio dos computadores e das redes, as pessoas mais diversas podem
entrar em contato, dar as mãos ao redor do mundo” (p.122).
“Eis, portanto, a tese que vou tentar sustentar: a emergência do
ciberespaço é fruto de um verdadeiro movimento social, com seu grupo líder (a
juventude metropolitana escolarizada), suas palavras de ordem (interconexão,
criação de comunidades virtuais, inteligência coletiva) e suas aspirações coerentes”
(p.125).
“Uma comunidade virtual não é irreal, [...], os amantes da cozinha
mexicana, os loucos pelo gato angorá, os fanáticos por alguma linguagem de
programação ou os intérpretes apaixonados de Heidegger, antes dispersos pelo
planeta, muitas vezes isolados ou ao menos sem contatos regulares entre si,
dispõem agora de um lugar familiar de encontro e troca” (p.132).
“Reencontramos com a música tecno a fórmula dinâmica que define a
essência da cibercultura: quanto mais universal for, menos totalizável será”
(p.145).
“Qualquer reflexão sobre o futuro dos sistemas de educação e de
formação na cibercultura deve ser fundada em uma análise prévia da mutação
contemporânea da relação com o saber” (p.159).
“No ciberespaço, o saber não pode mais ser concebido como algo
abstrato ou transcendente. Ele se torna ainda mais visível - e mesmo tangível
em tempo real - por exprimir uma população. As páginas da Web não apenas são
assinadas como as páginas de papel, mas frequentemente desembocam em uma
comunicação direta, por correio digital, fórum eletrônico ou outras formas de
comunicação por mundos virtuais como os MUDs ou os MOOs. Assim, contrariamente
ao que nos leva a crer a vulgata midiática sobre a pretensa “frieza” do
ciberespaço, as redes digitais interativas são fatores potentes de
personalização ou de encarnação do conhecimento” (p.164).
“De fato, essa interconexão favorece os processos de inteligência
coletiva nas comunidades virtuais, e graças a isso o indivíduo se encontra
menos desfavorecido frente ao caos informacional” (p.169).
“Com esse novo suporte de informação e de comunicação emergem gêneros
de conhecimento inusitados, critérios de avaliação inéditos para orientar o
saber, novos atores na produção e tratamento dos conhecimentos. Qualquer
política de educação terá que levar isso em conta” (p.170).
“Os sistemas educativos encontram-se hoje submetidos a novas
restrições no que diz respeito a quantidade, diversidade e velocidade de
evolução dos saberes” (p.171).
“As universidades e, cada vez mais, as escolas primárias e secundárias
estão oferecendo aos estudantes as possibilidades de navegar no oceano de
informação e de conhecimento acessível pela Internet” (p.172).
“Os professores aprendem ao mesmo tempo que os estudantes e atualizam
continuamente tanto seus saberes “disciplinares” como suas competências
pedagógicas. (A formação contínua dos professores é uma das aplicações mais
evidentes dos métodos de aprendizagem aberta e a distância)” (p.173).
“É a transição de uma educação e uma formação estritamente
institucionalizada (a escola, a universidade) para uma situação de troca
generalizada dos saberes dos saberes, o ensino da sociedade por ela mesma, de
reconhecimento autogerenciado, móvel e contextual das competências” (p.174).
“Uma vez que os indivíduos aprendem cada vez mais fora do sistema acadêmico, cabe aos sistemas de educação implementar procedimentos de reconhecimento dos saberes e savoir-fare adquiridos na vida social e profissional” (p.177).
“Cada país possui hoje um sistema de diplomas e de reconhecimento dos
saberes diferente. Além disso, dentro de um mesmo país, os diplomas -
sabidamente insuficientes quanto a isso - são o único sistema de representação
das competências comum a todos os ramos da indústria, a todas as empresas e a
todos os meios sociais” (p.184).
“Cada estudante pode passar de uma coletividade para outra, de um país
para outro, conservando sempre a mesma lista de brevês que define suas
competências: essa lista (eventualmente enriquecida por sucessivas experiências)
terá automaticamente, em cada árvore, aspectos e valores diferentes” (p.186).
“A convergência, progressiva, sempre fundada no voluntariado e na
implicação dos atores interessados, encontra-se, contudo, assegurada a longo
prazo pela coerência do esquema proposto e por sua adequação às figuras
emergentes da relação com o saber” (p.187).
“Hoje, a comunicação digital interativa cresce exponencialmente usando
toda uma gama de infraestruturas heterogêneas já existentes. O aumento das
capacidades de transmissão dos canais, que ocorre regularmente, é apenas uma
das chaves do crescimento do tráfego” (p.198).
“Colocar a inteligência coletiva no posto de comando é escolher de
novo a democracia, reatualizá-la por meio da exploração das potencialidades mais
positivas dos novos sistemas de comunicação” (p.201).
3º Parte - Problemas
“Fora as grandes tendências de virtualização e universalização que já foram abordadas, não há um “impacto” automático ou predeterminado das novas tecnologias sobre a sociedade e a cultura” (p.205).
“Em uma escola, é possível limitar a rede de
comunicação ao estabelecimento e favorecer prioritariamente o uso de programas
de ensino assistido pelo computador. É possível também abrir a rede local para
a Internet e encorajar as compras de equipamentos e programas adequados para
sustentar a autonomia e as capacidades de colaboração dos alunos” (p.207).
“De fato, o ciberespaço é desterritorializante por
natureza, enquanto o Estado moderno baseia-se, sobretudo, na noção de
território” (p.210).
“Os Estados veem evidentemente na “democratização” de
poderosos instrumentos de criptografia um atentado à sua soberania e segurança”
(p.211).
“É preciso compreender aqui a inteligência no sentido
da educação, das faculdades de aprendizagem (aprender em conjunto e uns dos
outros!), das competências adquiridas e colocadas em sinergia, das reservas
dinâmicas de memória comum, das capacidades de inovar e de acolher a inovação”
(p.213).
“Há inúmeros obstáculos para o projeto da
inteligência coletiva. Alguns deles dizem respeito aos mal-entendidos e às
ideias excessivamente pessimistas disseminadas por uma crítica muitas vezes sem
fundamentos” (p.216).
“Uma das ideias mais errôneas, e talvez a que tem
vida mais longa, representa a substituição pura e simples do antigo pelo novo,
do natural pelo técnico ou do virtual pelo real” (p.218).
“A ascensão da televisão certamente afetou o cinema,
mas não o matou. Vemos filmes nas estranhas janelas, e as cadeias de TV
participam da produção de novas obras cinematográficas” (p.219).
“A hipótese de substituição pura e simples contradiz
o conjunto de estudos empíricos e das estatísticas disponíveis. É triste
constatar que os cinco últimos livros de um pensador como Paul Virilo giram em
torno de um fantasma que a simples observação daquilo que nos cerca mostra ser
irremediavelmente falso” (p.220).
“Quando a crítica nada mais faz além de colocar em
cena os espantalhos desmoralizantes de sempre e deixa passar em silêncio o
movimento social, ignorando-o ou caluniando-o, temos o direito de duvidar de
seu caráter progressista” (p.228).
“O crescimento da cibercultura é alimentado por uma
dialética da utopia e dos negócios, na qual cada um joga com o outro sem que
haja, até o momento, um perdedor” (p.233).
“A cibercultura é propagada por um movimento social
muito amplo que anuncia e acarreta uma evolução profunda da civilização. O
papel do pensamento crítico é o de intervir em sua orientação e suas
modalidades de desenvolvimento” (p.235).
“A apropriação dos conhecimentos se libertará cada
vez mais das restrições colocadas pelas instituições de ensino, já que as
fontes vivas do saber estarão diretamente acessíveis e os indivíduos terão a
possibilidade de integrar-se a comunidades virtuais consagradas à aprendizagem
cooperativa” (p.237).
“Mas as potencialidades positivas da cibercultura,
ainda que conduzam a novas potências do humano, em nada garantem a paz ou a
felicidade. Para que nos tornemos mais humanos é preciso suscitar a vigilância,
pois o homem sozinho é inumano, na mesma medida de sua humanidade” (p.241).
“Estima-se frequentemente que o desenvolvimento da
cibercultura poderia ser um fator suplementar de desigualdade e de exclusão,
tanto entre as classes de uma sociedade como entre nações de países ricos e
pobres. Esse risco é real” (p.244).
“O inglês é hoje, na prática, a língua-padrão da
rede. Além disso, as instituições e empresas americanas constituem a maioria
dos produtores de informação na Internet. O medo de um domínio cultural dos
Estados Unidos não é, portanto, sem fundamentos” (p.247).
“Já que todos podem alimentar a rede sem qualquer
intermediário ou censura, já que nenhum governo, nenhuma instituição, nem
qualquer autoridade moral garante o valor dos dados disponíveis, como podemos
confiar nas informações encontradas no ciberespaço?” (p.251).
“A cibercultura surge como a solução parcial para os
problemas da época anterior, mas constitui em si mesma um imenso campo de
problemas e de conflitos para os quais nenhuma perspectiva de solução global já
pode ser traçada claramente” (p.255).
“Longe de ser uma subcultura dos fanáticos pela rede,
a cibercultura expressa uma mutação fundamental da própria essência da cultura”
(p.257).
“Nem as leis (não há direitos humanos), nem os deuses
(não há religiões universais), nem os conhecimentos (não há processos de
experimentação ou de raciocínio reproduzíveis em todos os lugares), nem as
técnicas (não há redes nem padrões mundiais) são universais” (p.258).
“Eis o ciberespaço, a pululação de suas comunidades,
a ramificação entrelaçada de suas obras, como se toda a memória dos homens se
desdobrasse no instante: um imenso ato de inteligência coletiva sincrônica,
convergindo para o presente, clarão silencioso, divergente, explodindo como uma
ramificação de neurônios” (p.260).
*Professor Lyndon Johnson Batista de Souza.
A Biologia Pode Inspirar a Engenharia?*
![]() |
| Androctonus australis - inspiração da engenharia |
Que a Biologia e sua diversidade tem inspirado engenheiros em seus projetos, isso não é novidade. Não existe perfeição melhor que aquela criada pela seleção natural, afinal foram milhões de anos aperfeiçoando o designer estrutural para ajustar perfeitamente as exigências do ambiente. Muitos pesquisadores alemães estão utilizando robôs, inspirados em animais, para desenvolver tecnologias para as indústrias naval, automobilística e aeroespacial. A ideia é captar a eficiência física dos animais na natureza para transferir a habilidade própria dos bichos para os robôs.
Por meio da biologia os engenheiros têm acesso à forma, movimentos, e aos hábitos comportamentais para com isso desenvolverem máquinas e veículos mais eficazes, menos poluentes e que gastem o mínimo de energia. Temos a seguir um bom exemplo disso, onde um grupo de cientistas chineses foram buscar "ispirações" em um escorpião para desenvolverem um sistema de proteção de maquinários que ficam expostos em abientes áridos sujeitos a tempestades de areia.
Baseado no "escudo biônico" natural que o animal usa para se proteger contra as tempestades de areia do deserto, os cientistas desenvolveram uma nova forma de proteger máquinas e motores do desgaste. A erosão por partículas sólidas é uma das principais causas de danos materiais e das falhas em equipamentos mecânicos, de simples canos e engrenagens a turbinas eólicas e bocais de foguetes. Em alguns casos, filtros podem ajudar a remover as partículas, como nos motores de carros, mas ter superfícies mais resistentes à erosão pode ser uma opção mais simples e mais econômica na maioria dos casos. E o escorpião do deserto parece ser especialista nisto, já que ele possui uma carapaça que evoluiu para permitir que ele sobreviva ao poder abrasivo das tempestades de areia.
Embora a carapaça do escorpião seja feita de um material duro, isso não é capaz de explicar toda a sua resistência à abrasão. Os cientistas usaram então um scanner a laser 3D para fazer um mapa de alta precisão da superfície da carapaça do escorpião, que é cheia de microtexturas. A seguir, eles fizeram uma simulação em computador para ver como a areia impacta sobre as diversas ranhuras da carapaça. De posse desses dados iniciais, a equipe desenvolveu diversas variações da estrutura rugosa do animal, e partiu para os testes práticos, com várias intensidades de impacto de partículas. "Os resultados mostraram que superfícies microtexturizadas apresentam melhor resistência à abrasão do que as superfícies lisas," escreveu o grupo. Os pesquisadores concluíram que uma série de pequenos sulcos em um ângulo de 30 graus em relação ao fluxo de partículas dá a superfícies de aço a melhor proteção contra a erosão.
Por meio da biologia os engenheiros têm acesso à forma, movimentos, e aos hábitos comportamentais para com isso desenvolverem máquinas e veículos mais eficazes, menos poluentes e que gastem o mínimo de energia. Temos a seguir um bom exemplo disso, onde um grupo de cientistas chineses foram buscar "ispirações" em um escorpião para desenvolverem um sistema de proteção de maquinários que ficam expostos em abientes áridos sujeitos a tempestades de areia.
Baseado no "escudo biônico" natural que o animal usa para se proteger contra as tempestades de areia do deserto, os cientistas desenvolveram uma nova forma de proteger máquinas e motores do desgaste. A erosão por partículas sólidas é uma das principais causas de danos materiais e das falhas em equipamentos mecânicos, de simples canos e engrenagens a turbinas eólicas e bocais de foguetes. Em alguns casos, filtros podem ajudar a remover as partículas, como nos motores de carros, mas ter superfícies mais resistentes à erosão pode ser uma opção mais simples e mais econômica na maioria dos casos. E o escorpião do deserto parece ser especialista nisto, já que ele possui uma carapaça que evoluiu para permitir que ele sobreviva ao poder abrasivo das tempestades de areia.
Embora a carapaça do escorpião seja feita de um material duro, isso não é capaz de explicar toda a sua resistência à abrasão. Os cientistas usaram então um scanner a laser 3D para fazer um mapa de alta precisão da superfície da carapaça do escorpião, que é cheia de microtexturas. A seguir, eles fizeram uma simulação em computador para ver como a areia impacta sobre as diversas ranhuras da carapaça. De posse desses dados iniciais, a equipe desenvolveu diversas variações da estrutura rugosa do animal, e partiu para os testes práticos, com várias intensidades de impacto de partículas. "Os resultados mostraram que superfícies microtexturizadas apresentam melhor resistência à abrasão do que as superfícies lisas," escreveu o grupo. Os pesquisadores concluíram que uma série de pequenos sulcos em um ângulo de 30 graus em relação ao fluxo de partículas dá a superfícies de aço a melhor proteção contra a erosão.
*Professor Lyndon Johnson Batista de Souza.
| http://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/1a203942r Artigo: Erosion Resistance of Bionic Functional Surfaces Inspired from Desert Scorpions. Autores: Han Zhiwu, Zhang Junqiu, Ge Chao, Wen Li, Luquan Ren. China: Langmuir, 2011. |




Nenhum comentário:
Postar um comentário